Síndrome Da Veia Cava Superior Associada Ao Cateter Central De Inserção Periférica (PICC) em prematuro de muito baixo peso: Estudo descritivo
DOI:
https://doi.org/10.37497/JMRReview.v5i00.1481Palavras-chave:
Prematuro, Cateterismo venoso central, Trombose venosa, Síndrome da veia cava superior, EnoxaparinaResumo
Introdução: O cateter central de inserção periférica (PICC) é amplamente utilizado em unidades neonatais para administração de medicamentos e nutrição parenteral. Entretanto, seu uso pode estar associado à trombose venosa central, ocasionando complicações graves, como a síndrome da veia cava superior. Em recém-nascidos prematuros, a presença concomitante de hemorragia intracraniana torna o manejo terapêutico particularmente desafiador devido ao risco de sangramento durante a anticoagulação.
Objetivo: Relatar um caso de síndrome da veia cava superior associada à trombose após inserção de PICC em prematuro de muito baixo peso, destacando os desafios terapêuticos diante da hemorragia intracraniana concomitante e a evolução clínica durante a anticoagulação.
Método: Estudo descritivo, do tipo relato de caso, baseado na análise da evolução clínica de um recém-nascido prematuro que desenvolveu trombose venosa central associada ao PICC. Foram avaliados os achados clínicos, exames de imagem, conduta terapêutica e evolução durante o acompanhamento hospitalar.
Resultados: Recém-nascido com idade gestacional de 29 semanas e 3 dias e peso de 1.190 g apresentou edema de face, pescoço e tronco após inserção de PICC. O ecocardiograma identificou imagem sugestiva de trombo de 6 mm na veia inominada e na veia cava superior, enquanto a ultrassonografia transfontanelar evidenciou hemorragia intracraniana grau II. Após avaliação multidisciplinar, foi iniciada anticoagulação com enoxaparina. Os exames seriados demonstraram redução progressiva do trombo para 5 mm e 3 mm, com ausência de trombo descrito após 25 dias. A hemorragia intracraniana apresentou resolução no controle realizado após 14 dias. A anticoagulação foi mantida por 42 dias, com evolução clínica favorável e alta hospitalar em condições estáveis.
Conclusão: A trombose venosa central associada ao PICC deve ser considerada diante do aparecimento de edema facial, cervical e do tronco em prematuros. A presença concomitante de hemorragia intracraniana exige avaliação individualizada dos riscos e benefícios da anticoagulação, com acompanhamento multidisciplinar e exames seriados de imagem. Neste caso, o tratamento com enoxaparina foi acompanhado de resolução da trombose e da hemorragia, demonstrando evolução favorável. Entretanto, são necessários estudos adicionais para estabelecer a segurança e a melhor estratégia terapêutica em situações semelhantes.
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